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As 5 coisas que mais ouvimos quando dizemos que vamos fazer cirurgia bariátrica

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Muitos de nós até optam por não divulgar a decisão pela cirurgia bariátrica pensando justamente no que ouviremos, mas de algumas pessoas, especialmente familiares, fica muito difícil esconder nossos planos. Eu sempre fui muito aberta em relação à minha decisão de fazer a cirurgia bariátrica e, por isso mesmo, acabei ouvindo muitas coisas. Essas “coisas” normalmente começam com: “você vai fazer bariátrica?” e emendam com alguma experiência do vizinho do cunhado do tio da prima da mãe da pessoa. Vamos às mais frequentes?

1- Você vai fazer bariátrica? A minha vizinha fez e 15 dias depois ela morreu!

Nada mais reconfortante do que ouvir que alguém que passou por uma experiência pela qual você pretende passar tenha morrido em decorrência dela, não é mesmo? Ironias à parte, esta é uma frase frequentemente ouvida pelas pessoas que optam pelo procedimento cirúrgico como uma ferramenta de controle da obesidade. Eu realmente não sei o que passa na cabeça da pessoa que fala isso, se é um desejo de prevenir o paciente ou talvez de fazer com que ele mude de ideia, mas independente disso, é bom deixar pra falar sobre a sua decisão depois de já ter debatido bastante com a equipe de profissionais que está cuidando do preparo para a cirurgia. Os profissionais envolvidos na maratona que antecede a cirurgia é que têm capacidade para tirar as possíveis dúvidas e talvez, porque não, dissuadi-lo de fazê-la. Uma pessoa que ainda não está 100% certa se quer operar ou não, pode acabar desistindo se ouvir muitas histórias que passaram por várias pessoas antes de chegar ao interlocutor e que, possivelmente, nem têm tanta veracidade assim. É claro que existe risco de morte num procedimento deste porte, mas é realmente necessário ouvir esse tipo de comentário? Seria algo como: “Vou viajar de avião.” “Ah, você vai? O avião em que a prima da cunhada da minha vizinha estava viajando caiu na semana passada!”

2- Você vai fazer bariátrica? A colega de trabalho do meu marido ficou mal-humorada depois que fez essa cirurgia.

No lugar de mal-humorada você pode inserir qualquer um dos seguintes: alcoólatra, compulsiva por compras, ninfomaníaca, depressiva… Quem está sendo bem preparado para a cirurgia sabe desses riscos e se decidiu levar adiante é porque está disposto a pagar para ver. Mil sessões de psicoterapia com o melhor psicólogo do mundo podem até não prevenir que você desenvolva alguma dessas patologias, mas este preparo é fundamental para identificar e controlar logo o problema.

3- Você vai fazer bariátrica? Nossa, vai ficar toda pelancuda…

Ah, a flacidez implacável! Em alguns ela vem mais agressiva, com outros ela é mais gentil, mas em 90% dos casos ela se faz presente. Pra começar, seria legal se as pessoas de modo geral entendessem que essa cirurgia não tem fins estéticos (ou não deveria ter), portanto, o nível de flacidez não está ligado ao sucesso da cirurgia. O objetivo aqui é a melhora na qualidade de vida do paciente através do controle das comorbidades. NO ENTANTO, a melhora na aparência é um bônus e tanto, né? Antes de operar, eu preferi acreditar que estaria nos 10% que saem incólumes da batalha contra a flacidez, mas depois que operei e ela bateu na minha porta, passei apenas a planejar minha próxima aventura cirúrgica: as plásticas!

4- Você vai fazer bariátrica? A tia do marido da minha vizinha fez e vomita tudo que come!

Confesso que essa me deu pânico. Sempre detestei vomitar, eu era daquelas que evitava ao máximo chamar o Hugo, e essa declaração me fez reconsiderar. A verdade é que hoje meu estômago se comporta bem melhor do que se comportava antes da cirurgia e o único Hugo que eu chamo ultimamente é o rapazinho da xerox no meu trabalho. É lógico que no começo foi difícil, já distraí conversando e deixei de mastigar direito o que gerou muito mal-estar e acredito que uns ou outros realmente tenham passado a sofrer desse mal, mas qual será o percentual? Vômitos podem ocorrer no início, mas se persistirem é bom que o cirurgião seja consultado!

5- Você vai fazer bariátrica? Minha sobrinha fez e ficou careca!

Mexendo de novo com a nossa vaidade! Uma coisa posso afirmar veementemente: se você não tiver nenhuma patologia ligada à calvície, essa afirmação é uma MENTIRA!! Você não ficará careca. Perderá muito cabelo, mas eles nascem de novo, não se preocupe. É claro que a reposição de vitaminas e uma alimentação balanceada ajudarão bastante a manter os bravos guerreiros presos ao seu couro cabeludo, mas está longe de ser a solução para a queda. Na maioria dos casos ela ocorre e não há nada que se possa fazer para impedi-la, apenas controlá-la e esperar que esta fase passe logo. Após 2 anos de cirurgia bariátrica, os cabelos que perdi já estão no comprimento de uma franjinha!

E vocês? Ouviram muitas coisas que os deixaram com medo de embarcar nessa experiência transformadora? Divida conosco!

Cores

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A moça esbelta estava na fila para o churrasco do seu restaurante self-service favorito. Cabelos impecavelmente arrumados, maquiagem retocada, nem parecia que havia acabado de sair de uma jornada de trabalho de 6h ininterruptas. Em seu prato haviam: alface, tomate, cenoura, beterraba, abóbora, chuchu, abobrinha e repolho. Um festival de cores. Atrás dela, uma mulher igualmente arrumada, bonita até, um pouco acima do peso, é verdade, mas bonita, não se conteve e exclamou:

__ Que prato lindo! Tenho até vergonha do meu…

Mal sabia a gordinha que há pouco tempo, talvez um ano ou dois, aquele prato motivo de vergonha, com muitas massas, pamonha e arroz, teria sido o prato dela também, obesa mórbida, 151kg, à caminho do centro cirúrgico.

Este conto foi escrito como primeira atividade do workshop de escrita criativa promovido pelo psicanalista Douglas Rodarte

5 Coisas que Fizemos Quando Recém-Operados das Quais nos Envergonhamos Hoje

Emagrecer é maravilhoso, né? Voltar a enxergar o próprio pé, amarrar o próprio tênis, sentar-se em cadeira de plástico sem medo, passar na catraca do ônibus… São tantas mudanças positivas que acabamos nos deixando levar pela empolgação e fazendo coisas que acabamos achando graça no futuro. Juntei aqui 5 coisas que fiz e hoje acho graça quando me lembro:

1. Antes e depois com pouco tempo de operada

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Meu primeiro antes e depois foi feito com 5 dias de operada. Sim!! CINCO dias! Fiquei tão empolgada em notar diferença no meu rosto que fiz um antes e depois com apenas 5 dias e postei no Facebook. Hoje, quando vejo posts com até mais tempo que o meu primeiro, não consigo enxergar diferença alguma! Ninguém me criticou à época, mas fico imaginando o que passava pela cabeça das pessoas quando viam a comparação!

2. Usar roupas mais ousadas

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Acho que não paguei taaaaaaanto mico, mas paguei. A empolgação era tão grande em poder comprar roupas em lojas de tamanhos regulares que acabava escolhendo modelos não tão apropriados para meu peso. Pesava 90kg e achava que estava magérrima! De fato, para quem pesava 151kg, pesar 90kg já era uma grande mudança, mas nada que justificasse esses modelitos, não é mesmo?

3. Tornar-se a louca do sapato de salto 15cm

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Antes de operar eu não usava salto nem 2cm, quiçá 15cm. Mais ou menos depois de perder uns 60kg, fiquei tão ousada que saí comprando sapatos de salto alto como se não houvesse amanhã. Comprei num período de dois meses, quatro sapatos salto 15cm. Quase morria de dor nos pés, mas usava todos os dias. A fase não durou muito tempo, voltei a usar sapatos confortáveis para trabalhar e deixei meus lindos saltos apenas para passear. E hoje, como estou mais leve, nem me machucam como antigamente!

4. Poses sexy

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A gordura oculta nossas verdadeiras formas. Quando vamos perdendo esta camada e as curvas começam a ser reveladas, fazemos de tudo para que elas sejam notadas, mesmo que para isso acabemos nos colocando em situações vexatórias! Jamais colocaria uma foto dessas na rede se fosse hoje.

5. Se achar a mais linda

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Vamos colocando nossas fotos na internet e as pessoas encabuladas com as mudanças acabam comentando surpresas e dizendo que estamos lindas. Essas reações vão inflando nossos egos e queremos ser chamadas de “linda” por todos, mesmo aquelas pessoas que não conheceram nossas versões mais cheinhas. Não há mal algum em se sentir linda, mas só não podemos exagerar, não é mesmo?

E você? Existe alguma coisa que você fez no passado que te envergonha hoje? Compartilhe conosco!

Como as pessoas que cercam os obesos mórbidos podem ajudar no controle da obesidade?

Sinto-me abençoada. Tive, e tenho, um apoio por parte de amigos e familiares que muitos de nós não tem. Em todos os aspectos possíveis,  fui ajudada pelas pessoas mais próximas. Seja pela minha mãe cuidando de mim no pós-operatório, preparando os sucos e caldos com todo carinho do mundo e uma preocupação enorme em preservar a qualidade dos alimentos em sabor e nutrientes, ou pelo meu pai que por muito tempo foi contra a cirurgia, mas no dia em que tive medo e titubeei, soube falar as palavras que eu precisava ouvir para ter coragem e seguir adiante com meu sonho. Meu marido, meu grande companheiro, no sentido mais estrito da palavra, me incentivou o tempo todo, aderiu aos hábitos de alimentação saudável comigo e atividade física regular. E por último, não menos importante, meus amigos, que acreditaram que eu seria capaz, e que me cercaram de carinho e atenção quando eu mais precisei nos momentos de recuperação da cirurgia. 

 
Isso tudo é muito lindo, mas nem sempre foi assim. Quando decidi fazer essa cirurgia, meus familiares foram contra e meus amigos não abriram em sorrisos e aplausos quando anunciei a mudança drástica que pretendia fazer em minha vida. Temiam pela minha vida e saúde e talvez até duvidavam que eu fosse capaz. Como esse cenário se transformou?
 
Vejo muitas pessoas reclamando dessa ou daquela pessoa, acreditando que dependa apenas do outro para que a mudança ocorra. Um pai que prende demais a filha, um marido que passa mais o tempo livre no computador do que com a esposa ou uma mãe que é contra a cirurgia bariátrica. Como essas pessoas podem mudar suas realidades?
 
No início eu não pensei muito nisso. Fiquei triste em não ter o apoio deles, mas dei continuidade aos preparativos. Vamos falar sobre esses preparativos em outra oportunidade, que são muitos, mas quando levados a sério, contribuem profundamente para o envolvimento do paciente — que foi o que aconteceu comigo. Gradativamente, ao observarem o meu comprometimento, as pessoas foram me apoiando. Alguns precisaram de mais tempo, outros de menos, mas no fim, todos me apoiaram. 
 
O que VOCÊ pode fazer para ter o apoio que tanto deseja? O quão comprometido você está com essa mudança de vida? As pessoas ao seu redor enxergam alguém determinado a adquirir novos hábitos alimentares ou alguém que ainda não está pronto para a mudança?
 
Nem sempre estive comprometida, nem sempre fiz com que acreditassem em mim, mas a mudança começou pela minha cabeça. Comece você também a sua!
 
Papai, mamãe eu e meu marido.
Papai, mamãe, eu e meu marido comemorando o aniversário do meu pai em Petropólis – RJ, em abril de 2014.

Você se engana?

você se engana

Nessa caminhada do emagrecimento tive contato com diversas pessoas na minha situação — OBESIDADE MÓRBIDA. Por diversas vezes ouvi dessas pessoas que elas não comiam quase nada e não gostavam de doces e frituras. Será que isso é possível? Chegar à obesidade grau II ou III comendo pouco e sem abusar de doces e frituras?
Ganho e perda de gordura têm uma fórmula muito simples: consumo de calorias > gasto de calorias = aumento da massa gorda. É verdade que alguns organismos têm dificuldade na queima de calorias, mas a fórmula continua sendo a mesma. Você que diz comer pouco, já fez um balanço da quantidade e, melhor ainda, da qualidade das calorias que ingere?
Muitas vezes o prato do almoço ou jantar não é tão cheio mesmo, mas e como andam os beliscos?
Por muitos anos eu me enganei. Bastante. Depois assumi, mas de nada adiantou. Assumi que comia muito e ainda assim, continuava comendo. De qualquer maneira, foi o primeiro passo.
E quanto a vocês? Também se enganam ou se enganaram por algum tempo? Compartilhe sua experiência!